Sinopse

A cada 23 minutos um jovem negro é morto no Brasil. O Rio de Janeiro tem a polícia que mais mata e mais morre no mundo. Segundo a ONU, a polícia do Rio mata cinco pessoas por dia, duas mil mortes por ano. A performance escrita pelo autor Marcelino Freire e dirigida pelo Rodrigo França narra esse embate estrutural e institucionalizado. Nessa guerra é preto matando preto. Até quando?

Atuação: Mery Delmond 

Texto: Marcelino Freire 

Direção: Rodrigo França

Crítica

Desta forma, percebendo o traço da diáspora e de suas tragédias diárias, a noite de segunda, se abre com Preto x Preto, performance tensa de Mery Delmond, dirigida por Rodrigo França. Palavras duras apresentadas em cartões, já apontavam para o tom da apresentação, e, desdobradas em um texto, uma arma, um policial e um bandido, todos negros, fala com o expectador a partir de sua experiência subjetiva em relação ao sujeito negro no contexto brasileiro que empunha uma arma contra outro negro dentro do mesmo atravessamento de Brasil.

Não demora e entendemos a origem comum, íntima, que permite uma fala franca sob a mira das armas. Poderíamos divagar sobre diferentes tensões que se estabelecem a partir desta paisagem: maioridade penal, questão social, pobreza, falta de acesso, desorganização coletiva; entretanto, o ponto nevrálgico se estabelece a partir do entendimento de maafa e do questionamento: como é estar do mesmo lado da linha do genocídio?

Por Aza Njeri

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