Sinopse

A partir da cena que fecha o primeiro ato de “Calabar: O elogio da Traição”, Gabo Barros desenvolve, juntamente com as atrizes Tathiana Loyola e Cláudia Barbot e com a diretora musical Beà, uma pesquisa que utiliza o afrofuturismo enquanto linguagem de encenação. Ao utilizar essa linguagem, a performance se afasta da obra de Chico Buarque e Ruy Guerra e levanta uma questão que perpassa toda a história dos africanos de diáspora: as diversas formas de genocídio dessa população. Em especial a morte de seus homens pela máquina do estado, como isso transpassa as mulheres e como, apesar de tentarem, as idéias, ideiais e cultura não podem morrer com eles.

Direção: Gabo Barros

Atuação: Cláudia Barbot e Tathiana Loyola 

Direção musical e Instrumentista: Beà

Crítica

A segunda performance da noite, de Cláudia Barbot e Tathiana Loyola, reivindica e marca o espaço do musical teatral. Um mergulho nos intestinos de Calabar fez pulsar em mim os versos de Cuti no poema Morro: “Choveu mais da conta./ A casa caiu em cima da família./Perda completa. Vivo, ele restou soterrado de morte” (CUTI, 1995, p.30), isto porque a obra mira nos “soterrados de morte”, os que restam e resistem aos atravessamentos genocidas de maafa, exemplificados na dor das mulheres que choram seus homens brutalmente assassinados. São mulheres negras, sob o luto da morte de seus maridos, filhos, primos e tios negros, que entram no estado de fruição a partir dos lamentos das mulheres de Calabar, diante daquele corpo invisível ao mesmo tempo que múltiplo.

Por Aza Njeri

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