A Interface Crítica de uma obra teatral é essencial para que se tenha uma visão do espetáculo como um todo: texto, direção, movimento, dramaturgia, cenário, luz e som conversando em prol do estabelecimento do laço fruitivo entre a arte, os seus fazedores e o público. O crítico, portanto, costura a obra entendendo, analisando, escutando e criando caminhos interpretativos para a mensagem artística. Sua contribuição também se estende a sugestões e observações sobre os possíveis descompassos que o encenado possa ter, focando na construção do objeto de arte e de seu papel refletor dos dramas da existência humana. A criticidade é, assim, fundamental para o amadurecimento da obra, já que, a partir dela é possível aparar as arestas e pontas soltas, além de aprofundar cenicamente as discussões filosóficas propostas.

A Interface Crítica pode acontecer durante todo o processo da construção das performances, com encontros periódicos para conversas e orientações com os fazedores do espetáculo ou, ainda, como no modelo apresentado no Segunda Black, em que a criticidade é feita no triângular crítico/artistas/público, por meio de elaborações e apontamentos feitos pela Interface Crítica em diálogo com os fazedores logo após as apresentações.

No último encontro da primeira edição da Segunda Black, em 2018, a intelectual e pós doutora em Filosofia Africana, Aza Njeri, foi convidada para fazer a Interface Crítica e, em seguida, tornou-se parte do elenco fixo do projeto, pois, com seu olhar sensível e perspicaz, traz discussões enriquecedoras sobre o próprio fazer artístico e estético, traçando, em poucas palavras, o panorama dos espetáculos apresentados, dando a eles um viés filosófico importante para o debate das cenas.

A oportunidade de encontros críticos pós espetáculo traz ao público a chance de apreender novos olhares sobre o assistido, auxiliando na ampliação de seu conhecimento e na formação de platéia. Para os artistas negros, é a garantia de que seus trabalhos possam ser analisados e criticados para o engrandecimento da construção, de forma a combater o epistemicídio, o articídio e o racismo estrutural que permeia as produções artísticas negras em nossa sociedade. 

Aza Njeri

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